Então vou contar um pouquinho da história do livro para vocês (porque a resenha completa - e com surpresa- só em janeiro minhas ávidas leitoras!).
Julianna: Como surgiu a história do Fazendo o meu filme?
Paula: Em outubro de 2004, exatamente na noite do início de ‘horário de verão’, eu estava no computador e de repente tive a idéia de começar um livro falando exatamente sobre isso: Duas amigas que saíam, mas que tinham que voltar no horário imposto pelo pai de uma delas. Com o adiantar do relógio, elas acabavam perdendo uma hora. Quando comecei a escrever, eu nem tinha idéia do que viria, só mais tarde é que pensei no tema principal do livro, que é o dilema da Fani entre largar o grande amor para fazer intercâmbio ou deixar de viajar para ficar com ele. As características dela, como a paixão por cinema, surgiram um pouco depois também.
Julianna: Você considera a Fani parecida com você em algo?
Paula: Muito parecida. Eu sempre fui muito tímida, romântica e louca por cinema. Mas a Fani é bem mais parecida com o que eu sou agora, do que com a adolescente que eu era aos 16 anos (a idade da Fani no primeiro livro). Ao contrário dela, eu não parava em casa, vivia indo a festas e tinha milhões de amigos. Atualmente eu sou bem mais caseira.
Julianna: Li em algum lugar que você fez intercambio na Inglaterra, você utilizou suas experiência para dar vida as duvidas que Fani teve ao ter essa oportunidade?
Paula: Eu fiz intercâmbio nos Estados Unidos e mais tarde, depois de formada, morei um ano na Inglaterra. Utilizei muito da minha própria experiência para escrever o processo de preparação da Fani para o intercâmbio e também para criar o cenário do livro 2, todos os lugares citados no livro são reais. Intercâmbio cultural é uma coisa tão marcante para quem faz e que desperta tanta curiosidade em quem não faz, que eu achei que seria um tema bom e pouco explorado para usar como assunto principal de um livro.
Julianna: Fani é apaixonada por cinema e Leo apaixonado por música. E você? Os filmes e músicas citados no livro foram escolhidos a partir do seu gosto pessoal?
Paula: Sou apaixonada tanto por música quanto por cinema! Acho que a gente deve escrever sobre o que gosta e conhece, para convencer, passar veracidade... senão a história acaba soando falsa. Amo todas as músicas e filmes citados no livro. Escolhi, sim, a partir do meu gosto, mas de acordo com a história. Tanto as músicas quanto os filmes têm relação com o que acontece na narrativa em cada momento. No site do livro (
www.fazendomeufilme.com.br) eu coloquei todas as músicas citadas e também as ceninhas que ilustram cada capítulo, para quem quiser ouvir e assistir.
Julianna: Um pergunta super clichê: Você sempre quis ser escritora?
Paula: Eu escrevi o meu primeiro livrinho aos 7 anos. Escrevi, ilustrei e grampeei! A minha avó tem guardado até hoje! E desde então, eu nunca mais parei de escrever. Minha matéria preferida sempre foi Português e eu sempre tirava total nas redações… Na época do vestibular, resolvi fazer Jornalismo para profissionalizar esse amor pela escrita. Mas logo no começo do curso, eu me decepcionei, pois eu não queria relatar os fatos imparcialmente e, sim, opinar e colocar emoção em tudo. Os meus professores, ao lerem as minhas matérias jornalísticas, perguntavam se eram crônicas. Foi quando eu descobri que era aquilo que eu queria: inventar. E por isso acabei transferindo de curso, para poder ser mais criativa. Me formei em Publicidade e Propaganda.
Julianna: Lançar um livro no Brasil não é nada fácil, como foi essa experiência para você? E como você se sentiu ao perceber que ele está fazendo esse sucesso maravilhoso?
Paula: Eu escrevi a maior parte de “Fazendo meu filme 1” em Londres, no ano em que morei lá (2005). Cheguei ao Brasil louca pra mostrar pra todo mundo e comecei a procurar editoras. Eu queria publicá-lo de qualquer jeito, mesmo que fosse de forma independente. Nas duas primeiras editoras que eu fui, nem quiseram ler o meu livro. O dono de uma delas falou inclusive que “adolescentes não leem livros grossos”! Na época não tinha Crepúsculo ainda, mas tive vontade de perguntar se ele nunca tinha ouvido falar de Harry Potter, pois o sexto volume da série tinha acabado de ser lançado e tinha o dobro do tamanho do meu livro! Na terceira, a Autêntica, a dona de lá – quando eu contei do que se tratava o livro – ficou interessada e falou que iria ler. Leu, gostou e publicou (ainda que dois anos depois, pois havia um cronograma de publicações que precisava ser respeitado).
Um dia depois do lançamento de “Fazendo meu filme 1” (que foi em setembro do ano passado) senti uma tristeza imensa! Tudo o que eu mais queria e que tinha esperado tanto, havia acontecido. Mas e depois? Eu achava que o livro ia servir só pra enfeitar a estante do quarto das minhas amigas. Aconteceu, porém, que nos dias seguintes, as pessoas começaram a me escrever falando que haviam amado o livro! E com o boca a boca, o livro foi sendo indicado, começaram a me convidar para dar palestras em escolas, eu passei a receber mais e mais e-mails e scraps com elogios, a editora começou a receber muitas solicitações pelo livro 2, e por causa desses pedidos (centenas), a dona da Autêntica mandou que eu escrevesse logo o segundo volume! E agora, tenho recebido já muitos pedidos para escrever “Fazendo meu filme 3”... Acho que se escreverem para a editora pedindo, pode ser que funcione mais uma vez... :)
Julianna: A Fani é apaixonada por cinema. Qual atriz você acha que ela escolheria para interpretar si mesma se ela pudesse escolher? Você já pensou na possibilidade do “Fazendo meu filme” virar filme?
Paula: Como a Fani adora Hollywood, tenho certeza de que ela escolheria uma atriz internacional. Eu acho que a Emma Roberts ou a Ellen Page dariam ótimas Fanis!
Todo mundo me pede para FMF virar filme... eu adoraria e penso muito na possibilidade. Mas por outro lado, não poderia ser “qualquer filme”, pois sou muito ciumenta da história e morro de raiva quando um filme “estraga” o livro... Mas se uma produtora bem conceituada se interessasse, eu iria achar maravilhoso!
Julianna: Ultimamente o publico juvenil está mais aberto aos encantos da literatura, principalmente depois de Harry Potter, Meg Cabot, Crepúsculo... O que você acha sobre isso? Sua intenção sempre foi escrever para adolescentes?
Paula: Logo quando lancei “Fazendo meu filme 1”, uma repórter me perguntou se eu achava que adolescente que crescia lendo “Harry Potter”, virava um adulto que lia “Paulo Coelho”. Eu respondi que não importava se o adulto lia Paulo Coelho (que por sinal eu gosto muito), Saramago ou Machado de Assis, mas sim o fato de que era um adulto que lia! A maioria dos brasileiros não tem o hábito da leitura e é isso é que tem que ser incentivado. O adolescente que é obrigado pela escola a ler livros chatos, nunca vai ter vontade, na idade adulta, de pegar um livro por vontade própria. Esse estímulo à leitura que a febre de literatura adolescente tem proporcionado é muito importante.
O meu primeiro livro publicado foi um livro de poemas, “Confissão”. Na época em que lancei o livro, eu pensei que ele fosse um livro adulto, mas hoje, relendo, eu vejo que ele é totalmente adolescente! Acho que minha vocação é escrever mesmo para esse público, deve ser porque eu ainda me sinto com 16 anos!
Julianna: Sei que você é super fã da Meg Cabot , e que é dona da maior comunidade da autora no Orkut, além de ter ganho a super promoção da Galera Record para encontrá-la na Bienal este ano. Você se inspirou no estilo da Meg para escrever o Fazendo o meu filme? Você deu de presente o Fazendo meu filme para ela? Conta pra gente como foi encontrá-la.
Paula: Acho que quando a gente lê demais um estilo, ou livros de um certo autor, acaba pegando um pouco do jeito dele... Eu nunca tive e nem tenho a pretensão de escrever nada tão perfeito quanto os livros da Meg Cabot, mas algumas pessoas têm me escrito comentando que
“Fazendo meu filme” é bem a cara da Meg, que das autoras nacionais eu fui a que mais conseguiu se aproximar do estilo dela (até criaram uma comunidade pra mim no Orkut chamada: “Paula Pimenta, nossa Meg Cabot brasileira, imagina!)... isso me deixa feliz demais, pois a Meg sem dúvidas é a minha maior influência, e tudo que ela escreve eu devoro e indico, mas ela realmente é incomparável.
Encontrá-la na Bienal foi um sonho! Eu ganhei o concurso da Record e por isso pude ficar um tempinho com ela na sala vip, tiramos várias fotos, conversamos (na verdade nem conversamos muito, eu estava tremendo tanto que fiquei até meio muda), dei o meu livro pra ela... Ela perguntou do que se tratava, eu contei, ela falou que eu tinha tido uma ótima idéia e lamentou o fato de não entender português, pois adoraria ler. E pediu para eu não deixar de mandar outra cópia para ela, caso o livro seja traduzido para o inglês algum dia! Mas mesmo assim ela levou e falou que ia guardar com muito carinho...
Julianna: O que você está lendo hoje e quais livros você considera imperdíveis?
Paula:: Eu estou lendo um livro da Sophie Kinsella sob o pseudônimo de Madeleine Wickham, chamado “The Wedding Girl”. Eu descobri há pouco tempo que ela tinha escrito livros com esse pseudônimo e agora quero ler todos, já que os que ela escreveu com o próprio nome eu já li.
Eu considero alguns autores imperdíveis: Meg Cabot, J.K. Rowling, Lisa Jewell, Jane Green e Sophie Kinsella (que citei acima). E pra falar de uma nacional, eu adoro a Martha Medeiros. Seja escrevendo poesias, crônicas, contos ou romances, ela é incrível!
Julianna: Fazendo meu filme 2 acaba de ser lançado, conte um pouquinho da história. Vai ter mais algum evento de lançamento? Se sim, quando e onde.
Paula: O segundo livro começa exatamente onde o primeiro termina. Em “Fazendo meu filme 1”, a Fani passa por situações que toda adolescente brasileira passa, como: escola, provas, saída com as amigas, conversa com os pais, paixões... E no segundo, ela tem que largar tudo isso para descobrir um novo mundo, diferente, longe de tudo que lhe era familiar. No segundo livro ela tem que decidir tudo por ela mesma, ao contrário do primeiro, onde ela tinha tanta ajuda da família e das amigas. É nítido o amadurecimento dela de um livro para o outro.
Confirmados, teremos mais dois eventos de lançamento, um no Rio de Janeiro e outro em Juiz de Fora, ambos serão em fevereiro, mas a data certa ainda está em negociação... assim que eu souber vou divulgar bastante pelo Twitter e Orkut.
*PS da Entrevistadora: E em Florianópolis nada? =O(
Julianna: E para entrar no espírito natalino. Que livro que você acha que não pode estar fora da lista de presentes neste natal?
Paula:Vale falar
“Fazendo meu filme”?? :)
O livro pode ser adquirido nas melhores livrarias de todo o Brasil e também pela internet (Saraiva, Livraria Cultura, Fnac, Travessa, entre outras...). Ah, e quem quiser autografado, pode comprar direto pelo tele-vendas da
editora Autêntica (0800 2831322), eu faço uma dedicatória antes de enviarem para vocês.
Julianna: Obrigada por concordar com está entrevista (tão em cima das festas de fim de ano) e pela oportunidade de te conhecer melhor. O Lost in Chick-Lit te deseja um Natal repleto de alegrias e sucesso, porque você merece =o*
Paula: Eu é que agradeço! Adoro o Lost in Chick-Lit e é uma honra ser entrevistada por vocês! Um ótimo Natal para todas as leitoras (e leitores) e que 2010 seja para nós um ano tão perfeito quanto os romances que adoramos ler!
Mais sobre Fazendo Meu Filme e Paula Pimenta:
Ps: As capas são MARAVILHOSAS! Nunca vi uma capa de autor nacional tão linda! Então deixo um recadinho de Parabéns pro Designer!! Vocês não acham?