Estou enrolando para fazer esta resenha há quase duas semanas, e vocês devem ter percebido que não foi por um bom motivo. Apesar de já ter escutado diversas coisas negativas sobre Maya Fox desde o seu lançamento ano passado eu lhe concedi o beneficio da dúvida, e decidi resgatá-lo mês passado por causa do lançamento de sua sequencia "Maya Fox e o quadrado mágico".
Com um bom plot sobrenatural que prometia ser a nova A mediadora e com uma capa belíssima ilustrada pelo artista gráfico Iginio Straffi desenhista das fadinhas fofas da Winx, infelizmente o livro não foi aquilo que eu esperava.
Maya Fox é uma garota meio gótica que perdeu recentemente seu pai assassinado. Sua mãe trabalha como psiquiatra forense, traçando perfil de assassinos e serial killers, e passa muito pouco tempo em casa, o que claramente não ajuda na relação das duas.
Maya, sem nenhum motivo aparente, passa a se comunicar com espíritos, mais precisamente apenas o espirito de seu pai, que lhe quer passar alguma mensagem. E ao mesmo tempo se envolve com o misterioso filho de uma médium chamado Trent, que demoramos a descobrir se é bom ou mal.
Para piorar o assassino de seu pai conseguiu fugir da prisão, e aparentemente está envolvido com o autor de uma série de assassinatos envolvendo garotas bonitas e numerologia asteca. E adivinha de quem ele esta atrás? De Maya, claro!
O enredo que a principio tinha me chamado atenção se mostrou fraco e superficial. Não consegui gostar nenhum pouquinho de Maya, muito menos de seus amigos e de Trent. A unica personagem razoável era sua mãe Megan e olhe lá.
A narrativa se alterna entre capítulos focados em Maya, em Megam e outros completamente enfadonhos e sem sentido do desvairado assassino. Sabe o tipo de capítulo que você tem vontade de pular para o próximo? Todos eram exatamente assim. Além disso, achei profundamente bizarro e sem graça a forma dos - poucos - contatos espirituais de Maya.
Se me pedissem para listar o que gostei nesse livro dificilmente conseguiria escolher um tópico. Mas infelizmente o livro por si só não foi a pior parte da leitura e sim sua péssima tradução.
Dificilmente encontramos uma tradução tão ruim e sem pé nem cabeça como essa. Além de diversas passagens sem sentido, frases mal estruturadas e erros gramaticais, o tradutor definitivamente assassinou o seu trabalho já precário ao escolher manter certas palavras na grafia original.
Meu deus do céu, para que dize que elas vão numa "party" e que outra vai ser a rainha da "party". Elas foram numa festa e ponto final! E este é apenas uma de dezenas de expressões mantidas na grafia original e que simplesmente existem boas palavras capazes de supri-las em nossa lingua mãe. Até entendo que certas palavras não são fáceis de escolher uma tradução fiel, mas definitivamente essas não eram.
Para piorar mais ainda (se é que é possível) o tradutor criou novas palavras. Coisas absurdas como "chatando" (para o ato de bater-papo em chat) e "xotinhas" (algo que acredito estar ligado à uma má tradução da expressão pussy, mas sabe-se lá o que realmente é). Gente existem neologismos e neologismos! For Christ's Sake!
Nunca falo que não recomendo um livro, mas neste caso sinto em dizer: Leia por sua conta e risco!
Definitivamente vai demorar até eu tomar coragem para ler sua sequência, que já está aqui em casa esperando.
Se alguém leu e gostou, por favor me mostra os pontos positivos porque não encontrei nenhum!
Maya Fox: A predestinada
Silvia Brena e Iginio Straffi
Editora Planeta
389 páginas
ISBN: 978-85-7665-448-3
Silvia Brena e Iginio Straffi
Editora Planeta
389 páginas
ISBN: 978-85-7665-448-3








