Quando o assunto é a autora Candance Bushnell entramos num terreno completamente contraditório e delicado para mim. Não podemos negar que a versão de Sex and the City estrelada por Sarah Jessica Parker é um marco televisivo que deu voz a mulher cosmopolita e sou toda elogios, mas quando o assunto é sua versão literária (e que obviamente deu origem a série) o meu pensamento é ceticamente o contrário.
Passei anos evitando outras obras literárias da Candance pelo sentimento de decepção que tinha sobre sua narrativa principalmente no seu best seller/ Blockbuster. Era daquelas que pensavam "nossa os roteiristas da série sabem mesmo o que estão fazendo e conseguiram transformar aquilo em um estrondoso sucesso".
Passei anos evitando outras obras literárias da Candance pelo sentimento de decepção que tinha sobre sua narrativa principalmente no seu best seller/ Blockbuster. Era daquelas que pensavam "nossa os roteiristas da série sabem mesmo o que estão fazendo e conseguiram transformar aquilo em um estrondoso sucesso".
Por isso quando fiquei sabendo do lançamento retratando a versão adolescente da carismática Carrie fui tomada por um sentimento contraditório, um misto de curiosidade, medo e porque não esperança. Fui ficando agoniada e ansiosa, e só deus sabe quantas vezes xinguei toda a árvore genealógica dos funcionários dos correios por me fazerem esperar pela entrega do livro. E quando ele finalmente chegou hoje não consegui largar dele por um segundo, e por isso estou aqui as duas horas da manha batendo nas teclas freneticamente.
Os diários de Carrie, lançado sexta feira pela Galera ( o novo selo young adult da Galera Record) retrata exatamente aquele período conturbado e tantas vezes contado do High school. Quem não tinha curiosidade de saber como a super confiante, entendida, que fala o que pensa e faz o que quer Carrie era na adolescência, principalmente naquele período dominado pelos hormônios em ebulição e cheio de inseguranças. Sera que ela sempre foi DIVA? Será que ela era uma líder de torcida? Ou uma nerd desajeitada?
Cadance revela o passado de Carrie, passando por todas as áreas que nos despertariam curiosidade, desde sua história familia à sua posição na hierarquia escolar, passando pelas paixões adolescentes, suas amizades, seus sonhos, suas inseguranças ( inclusive na questão de perder o grande "V").
Carrie é acima de tudo uma garota normal, centrada no seu mundinho, com inseguranças em relação ao corpo, duvidas em relação aos meninos e um bocado de charme fashion, mesmo que hoje em dia o gosto da década de 80 seja algo muito duvidável. Ficamos conhecendo sua história familiar, onde seu pai cientista viúvo cuida de três garotas adolescente pra lá de descontroladas (em vários sentidos), a morte prematura de sua mãe e até o papel de Carrie como irmã mais velha, que por vezes assume uma posição de responsabilidade materna.
Conhecemos a pequena cidade de Castlebury, onde nunca acontece nada interessante (como em qualquer outra cidade do interior) e cuja escola possui castas bem delimitadas como em tantos outros livros juvenis. A sensação do momento é Sebastian Kydd, um garoto charmoso, meio rebelde e rico que retorna a cidade depois de conhecer o mundo. Ele a principio se engraça por Donna LaDonna, a cruel abelha rainha - e lider de torcida- de Castlebury High, mas subitamente muda suas atenções para uma Carrie ao mesmo tempo desajeitada e decidida, que obviamente cai de amores por ele. Mas será que Carrie está pronta para cair de cabeça nessa relação? Sua vira um inferno, cortesia da adorável Donna. Mas não sera apenas a abelha raiha que atrapalhará sua relação com Sebastian. Inveja e dramas são apenas alguns dos problemas que Carrie tem que superar no campo da amizade, sem contar no campo familiar, mas essa é outra história.
São tantas informações que poderiam tornar o livro piegas ou até mesmo cair no erro recorrente da narrativa fragmentada, mas para minha surpresa acontece exatamente o contrário. Cadance soube resgatar encanto juvenil do início dos anos oitenta de uma forma bastante verdadeira e bem encadeada, como se fossem memórias de um diário, apesar do livro ser em primeira pessoa mas não apresentar o formato especifico (tal como em O Diário de Bridget Jones, por exemplo).
Desde as primeiras paginas sabia que teria que pagar minha língua. A narrativa impecável de Os diários de Carrie me obriga a dar varias chances aos outros títulos da autora, ou no mínimo sugerir que a autora mude de público alvo.
Por se tratar de uma prequel (livro que conta a história antes da história) do livro Sex and the City, não fique espantada com as diferenças em relação ao passado de Carrie na serie. Afinal era de se esperar que Cadance se mantivesse fiel ao que ela idealizou da personagem não ao que os roteiristas adaptaram transformando um livro em 6 temporadas. Tenho certeza que isso vai incomodar algumas fãs fervorosas que tratam a história a série como a verdade "verdadeira", mas apesar de todos os meus problemas com o livro original acho que não seria justo levar isso em conta. Na minha opinião, um autor sempre vai -e deve- se manter fiel ao que ele criou e o que imaginou para seu personagem, e foi exatamente isso que Cadance fez. Mais um ponto positivo para ela.
Meu personagem favorito (além da Carrie que é inquestionável) foi seu pai. Achei super fofo o cientista viúvo pai de três meninas encrenqueiras que tenta analisar tudo cientificamente como se fosse uma equação matemática. Imagina a loucura de criar três meninas dessa idade sem a ajuda materna?
E a única coisa que me incomodou durante todo o livro foi a quantidade de cigarros fumados e a quantidade de bebidas ingeridas por essas meninas de 17 anos, parecia a Carrie que conhecemos em Manhattan.
E sobre o dilema da capa. Aos muitos que preferem a versão americana à versão inglesas mantida aqui no Brasil, afirmo que após a leitura mudarão completamente de ideia, porque afinal esta capa realmente tem muito mais a cara do livro. Sem contar que o brilho radiante do dourado totalmente Sex and The City só pode ser apreciado corretamente em mãos.
Não gosto de comentar sobre finais, porque não costumo soltar spoilers, mas desta vez não posso deixar de falar:
Que final é aquele, minha gente! Até eu, uma fã xumbrega da série e digamos nada entusiasta do livro, fiquei super-hiper-mega emocionada.
Só não vale ler a ultima página antes da hora, viu? Os diários de Carrie é daqueles livros que te deixa fisgada até o fim... então separe boas horas ininterruptas para a leitura.
Se preparem que tem surpresa por ai ^^







