
Uma manhã Gloriosa.
Diana Peterfreund
Editora: Record
ISBN: 9788501092526
Número de páginas: 267
Onde Comprar: Cultura | Submarino | Book Depository
Estou com um milhão de resenhas para escrever (ok 13, mas é bastante mesmo assim), e outro milhão de livros para ler (alias deixei dois pela metade - From Nothing Hill with love Actualy e Storm Born), mas simplesmente não resisti quando Uma manhã Gloriosa chegou na minha porta em uma manha nada gloriosa. Não sei explicar para vocês o motivo da empolgação por esse livro. A sinopse é legal é, mas também não é extraordinária E a capa, bem (apesar de ser fã confessa de capas movie tie-in) não é das melhores. E isso é tudo de negativo que vocês me verão falando sobre esse livro ( e o filme, que apertei o play cinco segundos depois de terminar o livro de tão empolgada que estava) nesta postagem.
Minha semana estava uma droga de todas as formas possíveis e eu definitivamente precisava de um livro light and fun para encarar uma rotina do caramba. Então quando o Seu Eloi ( meu porteiro querido que sempre me alegra pelas manhas com pacotinhos maravilindos) me entregou o pacote que viria a ser de Uma manhã Gloriosa, eu já estava com dois livros semi-lidos na bolsa, mas assim que sentei no banco do onibus, pensei What a hell! Eu mereço me divertir! E quem melhor que Rachel McAddans e Harrison Ford num working girl lit, ali na minha frente pedindo para ser devorado?
Digo devorada de uma maneira que ainda não havia devorado nada este ano. Vocês sabem que tenho me matado de trabalhar, e que até pra postar no blog eu fico no dilema cruel : Posto ou durmo? Eis a questão. Mas Uma manhã Gloriosa foi devidamente devorado em duas idas e voltas do trabalho.
A história é simples, Becky Fuller é produtora num programa matutino a lá Ana Maria Braga de New Jersey. Trabalha duro, acordando literalmente de madrugada (1:30), todos os dias há 10 anos, ou seja, não tem vida social muito menos sexual, mas nem tudo parece perdido, ela está prestes a receber a promoção de sua vida, em que assumiria o cargo de Produtora Senior. Só que nem tudo sai como o esperado, e na realidade a promoção acabou sendo a sua demissão.
Sem diploma e sem grandes conexões no mundo televisivo achar um emprego não estava sendo fácil. Até que lhe oferecem o capenga Daybreak, o azarão no ibobe matutino da rede nacional. E o que aparentemente poderia ser a sua grande virada rapidamente vira uma grande confusão. Becky não apenas demite o seu ancora slash tarado sexual no primeiro dia de trabalho como tem que lidar com uma verba minima. Para piorar a situação ela consegue forçar Mike Pomeroy (no filme Harryson Fodão Ford), um ancora carrancudo e enjangado em matérias de cunho investigativo, seu ídolo desde a infância, a trabalhar num programa leve matutino que mistura matérias sobre câncer de próstata com lasanhas.
Mike é osso duro de roer, e começa a transformar a vida de Becky num inferno. Para piorar, se ela não der um jeito no velho rabugento e aumentar significativamente a audiência o programa vai ser cancelado. A única coisa boa de tudo isso é Adam Bennet (no filme interpretado pelo fofíssimo Patrick Wilson, o Nite Owl de Watchmen), outro produtor da IBS que também foi massacrado por Mike.
Uma Manhã gloriosa é um romance de Diana Peterfreund, baseado no roteiro de Aline Brosh McKenna, ou seja, ele seguiu a ordem inversa das coisas, primeiro foi pra telona e depois virou livro, mas sinceramente não parece. O livro, como é de se esperar, é uma leitura levíssima, perfeita para relaxar e se divertir, tem uma narrativa e uma protagonista extremamente cativante e adorável. Eu adorei todos os personagens, desde Ernie o animado e amalucado homem do tempo ao sarcástico mas no fundo querido Mike. Me apaixonei pelo fofo do Adam e me identifiquei pra caramba com a verborragia da Becky.
Fiquei tão empolgada com a história toda que cheguei em casa hoje, logo após terminar o livro no onibus e fui direto assistir o filme, que me esperava desde ontem. O filme também é ótimo, fofo, engraçado, mas não surpreendentemente o livro é significantemente melhor (apesar de toda aquela coisa da ordem inversa supracitada). É claro que adoro ver o Harrison Ford interpretando personagens turrões que me lembram sempre meu adorado Han Solo, e só isso já vale o filme, mas para mim ficou faltando um pouco daquela coerência cronológica do livro, e algumas cenas hilárias do livro ficaram um pouquinho mais exageradas do que eu achei que ficariam. No entanto no final das contas, ainda é um filme cute, perfeito para uma noite com as amigas ( eu vou re-assistir hoje ainda com a Denise e o Maicon, sabe como é!).
Outro ponto que não posso deixar de comentar é o fato de Uma manhã gloriosa ser um ótimo exemplo de chick lits conhecido como Working Girl lit (leia mais sobre os tipos de chick lit aqui). O que é uma coincidência e tanto, pois ainda essa semana respondi uma entrevista em que uma das perguntas me questionava sobre as protagonistas chicklitianas serem mulheres dependentes da aprovação masculina através do casamento para obter reconhecimento social. Então vou compartilhar com vocês a minha opinião: Eu acredito que até possam existir chick lits que reforcem essa dependência de aprovação, mas que no seu âmago em todos eles sem exceção as protagonistas procuram a tão idealizada felicidade, sejam elas financeiras, profissionais ou amorosas. O casamento é apenas uma consequência da procura à felicidade através do amor, e não um objetivo propositalmente determinado. E Uma manhã Gloriosa acabou sendo um exemplo perfeito de chick lit que não caracteriza essa dependência. Existe romance, existe. Existe um cara fofo que nós cria expectativas irrealistas sobre homens e que nos fazem suspirar, existe. Mas esse não é o pronto central da história. Uma manhã gloriosa gira em torno da procura da felicidade através da paixão pela profissão, da mesma forma que tantos outros fizeram antes (só vou citar um icônico: O diabo veste Prada).
Enfim, Uma manhã Gloriosa é uma diversão garantida, uma leitura de uma tacada só. Por isso digo sem sombra de duvidas:
Leia o livro. Veja o livro. Ou se preferirem: Leia o filme. Veja o livro. Só não deixem de colocá-lo na sua lista de Must Read.






